segunda-feira, março 19, 2007

Visto


Se há coisa que me irrita num filme, é o recurso à mais que estafada fórmula da criancinha que não segue as indicações que lhe são dadas, tendo lhe sido explicado explicita ou implicitamente, que disso depende a sorte do mundo, da sua família ou dela própria.
É certo e sabido que basta que a personagem infantil seja posta perante tal responsabilidade, ela falhará. Então não são assim as crianças, debilmente inteligentes e desastradas?
Nesta fantasia filmada, decorrente durante o pós guerra civil de Espanha, há uma criança que se entrega ao mundo do fantástico para se proteger do horror que a cerca. A luta com e da resistência marxista à ditadura franquista, corporizada no capitão-padrasto (até há padrasto!) é filmada de forma brutal como enquadramento da necessidade desse refúgio. Mas até o universo fantástico onde se refugia a protagonista tem regras e consequências para quem as quebra. E para não surpreender ninguém, o filme mostra o que acontece às crianças tolas que não seguem as regras.

Ao contrário de quem me acompanhou nesta ida ao cinema, o filme aborreceu-me um pouco mais que do que me entreteve.
Mas não se deixem levar por mim. Vão vê-lo; não o desaconselho a ninguém.
Talvez eu esteja apenas desiludido com o mundo da fantasia, das fadas, princesas e faunos...