Sexta-feira, Maio 23, 2008

Democracia

Democracia quer simplesmente dizer o desencanto do povo, pelo povo, para o povo.
Oscar Wilde

Benicio "Che"


Um dia via uma foto dele, e ele tinha um sorriso incrivelmente caloroso…Tinha que haver algo de errado com aquela ideia de que ele era um tipo mau.

Benicio del Toro, citado pelo Público, Suplemento P2.


Che, realizado por Steven Soderbergh, tem a duração de quatro horas, mas não consta, segundo reza a crónica de Vasco Câmara, que seja um épico.

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Sobre a violência étnica na África do Sul

Este post do Daniel Oliveira, sobre a violência praticada sobre imigrantes, é um bom exemplo de como o moralismo turva o entendimento. Como o caso ocorreu na África do Sul, lá surgem as analogias com o tempo do Apartheid, o julgamento das antigas vítimas depressa transformadas em agressores xenófobos... Parece óbvio, mas não podia ser mais enganador.

Ainda no post em causa, é hilariante a discussão a que se entregaram alguns comentadores, a de saber se o racismo dos negros é "pior" do que o dos brancos, e vice versa. Algo que se assemelha à discussão bizantina do sexo dos anjos.

Podemos invectivar aqueles sul africanos, que sem dúvida cometeram actos atrozes, mas isso a mais das vezes é um exercício espúrio, tão-só para ficarmos de bem com a nossa consciência (de um lado, eles, os xenófobos, e do outro, nós, os civilizados, os tolerantes).

Mais difícil é aceitar que aquilo a que chamamos xenofobia por vezes irrompe violentamente no seio dos agrupamentos humanos, sendo traço sombrio da nossa condição.

Voltando aos trágicos acontecimentos ocorridos na África do Sul, penso que não é difícil vê-los à luz de um contexto em que a disponibilidade de mão-de-obra, normalmente associada à indústria, leva à depreciação dos salários, gerando tensões entre diferentes grupos (aqui falamos, grosso modo, de autóctones versus imigrantes). Não estou a dizer que os indivíduos, no interior destes grupos, tenham todos o mesmo comportamento feito de intolerância para com o Outro, mas que boa parte deles se entrega a tais práticas, sem dúvida.

Enfim, o que vimos na África do Sul não é assim tão diferente do que se passava na Europa industrial do século XIX, em que não raro os industriais recorriam a mão-de-obra imigrante (por exemplo, polaca) para reduzir a capacidade de luta da força de trabalho local. Isto ocorria, assaz , em contextos de greves prolongadas. E fazia alastrar a xenofobia.
Atenção, não estou a dizer que a xenofobia é apenas causada pela depreciação dos salários, num contexto em que indivíduos de vários grupos étnicos concorrem por um emprego, mas apenas que me parece, à luz do que li, ser o factor maior no caso Sul Africano. Por isso, acho espúrias as analogias com o tempo do Apartheid, a não ser no caso de um discurso moralista, de auto-suficiência... Para contentamento dos seus autores.

Segunda-feira, Maio 19, 2008

Da cultura da irrelevância

Ou o estado de abastardamento da informação televisiva:

Eu sei que já escrevi sobre isto, a mais quixotesca das minhas actividades, ainda pior do que a do PSD, mas isto é mais grave do que se pensa. É um sinal de descontrolo cívico, de atraso político e social, de retrocesso da nossa democracia e da nossa vida pública. Não é só na economia que estamos a andar par atrás, é na cabeça. A cultura da irrelevância está a crescer exponencialmente e todos já esperam que o mesmo aconteça nos próximos meses, em que mais uma vez o país vai parar porque há um Campeonato.

Pacheco Pereira, in Abrupto.

Domingo, Maio 18, 2008

Um ministério sem vergonha


Pelos vistos, as Novas Oportunidades rimam com falsos recibos verdes e salários em atraso, lindo exemplo que vem do Estado!
E, mais uma vez, é o ministério da Educação, o ministério do nosso descontentamento, o responsável por esta situação, que é assaz aviltante para o Estado português.
Foi o Expresso quem denunciou o caso, porque nas televisões a verdade a que temos a direito é a da ministra Maria de Lurdes Rodrigues a entregar diplomas aos formandos das Novas Oportunidades.
Num país a sério, esta ministra já não existiria.

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Irmãos Quay II


Are we Still Married? - His Name is Alive

Os irmãos Quay


Excerto do filme The Street of Crocodiles, dos irmãos Quay. Que tive o privilégio de ver na Monstra.

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Angola é nossa!


Me espanto, quando vejo colunistas, de curta ou longa data, criticarem Angola como se esta fosse assim a modos que uma triste excepção, num presente radioso. Como se não vivêssemos num mundo em que as desigualdades são cada vez mais a lei.
Há nisso um subtexto que remonta aos tempos da Descolonização e da Guerra Fria, em que, contra todas as previsões, o MPLA prevaleceu e José Eduardo dos Santos, um estadista discreto, mas hábil, soube preservar a integridade territorial.
Angola desfruta hoje de estabilidade política e de crescimento e económico invejáveis, para os padrões da África Austral. Não obstante as profundas, e moralmente inaceitáveis, desigualdades sociais, o país lá vai trilhando o seu caminho, vive-se melhor, há progresso, não querer ver isso é prova de sectarismo. Por exemplo, o saldo migratório de Angola é hoje positivo, se isso não é prova de progresso...
De pouco importa que haja partidos políticos e até uma imprensa ferozmente crítica do governo, e que por isso seja demagógico dizer que o país é uma autocracia. Não que seja uma democracia, tão-só que a realidade não é a preto e branco, a não ser para os cruzados que por aí pululam (só falta organizar a expedição, para libertar o martirizado povo angolano da oligarquia de todo os Santos).
Enfim, algo de negativo acontece em Angola, e lá vêm eles exigindo do governo português uma posição firme; e dos empresários transparência. E será Angola caso único, em matéria de desigualdade, corrupção e arbítrio?
Sempre que se fala de Angola, logo aparece um coro de indignação fácil e, em cada português, há um juiz impoluto. Eu não em lembro do mesmo coro de indignação, quando o jornalista moçambicano Carlos Cardoso foi barbaramente assinado. Ninguém falou, à época, em cleptocracia, mas quando se trata de Angola esta palavra anda na boca do mundo. Dois pesos duas medidas, em matéria de indignação.

Israel e a Palestina

No diário El Pais, um Artigo do maestro Dainel Barenboim, fundador da orquestra West-East Divan, que reúne músicos israelitas e palestinianos. Destaco esta passagem:

En la actualidad, muchos israelíes no tienen ni idea de lo que sienten los palestinos, de cómo es la vida en una ciudad como Nablus, una prisión con 180.000 reclusos en la que no hay ni restaurantes, ni cafés ni cines. ¿Qué ha ocurrido con la famosa inteligencia judía? Ni siquiera estoy hablando de justicia o de amor. ¿Por qué se continúa alimentando el odio en la franja de Gaza? Nunca podrá haber una solución militar, porque dos pueblos luchan por una sola tierra. Por fuerte que sea Israel, siempre sufrirá inseguridad y miedo. El conflicto se devora a sí mismo y al alma judía, y siempre se le ha permitido que lo haga. Quisimos hacernos con tierras que nunca pertenecieron a los judíos y construir en ellas asentamientos. En ese hecho, los palestinos ven, y con razón, una provocación imperialista. Su resistencia, su no, es absolutamente comprensible, pero no los medios que utilizan para llevarla a cabo, ni tampoco la violencia o la inhumanidad indiscriminada.

Quarta-feira, Maio 14, 2008

60 anos de Israel. Que futuro?

















Algumas notas sobre o sionismo, o Estado de Israel e os palestinianos, como não podia deixar de ser.
O sionismo, movimento político da Diáspora rumo à Jerusalém Prometida, combinava as ideologias do nacionalismo e do socialismo.
Nasce no século XIX, o século dos nacionalismos, mas são os horrores do Holocausto e o fim da Segunda Grande Guerra que lhe vão dar o sopro decisivo. À época, era consensual a ideia de um Estado para o povo judeu, vítima de incontáveis sofrimentos.
Bem, é sabido que os judeus, armados de uma poderosa ideologia, venceram, que o processo foi violento, traumático. Gerou um povo apátrida, os árabes da Palestina, não portadores de uma ideologia tão poderosa, quanto o era o movimento sionista desse tempo.
A fundação do Estado de Israel significou opróbrio para muitas e muitas famílias árabes/palestinianas. O problema dos refugiados, que foram expulsos das suas terras, e estas por sua vez a atribuídas a famílias judias, permanece bem vivo na memória colectiva dos palestinianos, em particular, e dos árabes, em geral. E tem constituído um formidável obstáculo a um acordo de paz, à semelhança do que sucede com os colonatos judeus nos territórios ocupados, expressão de um sionismo de extrema-direita.
Muitos traçam um quadro a tons religiosos, exagerando talvez na pintura. Eu penso que a questão de fundo é nacional, mais do que religiosa, não obstante os mitos fundadores do sionismo e o peso crescente do islamismo.
É um problema de território, de terras! Foram líderes seculares, socialistas até, que deram corpo ao moderno nacionalismo palestiniano. Basta lembrar Arafat ou Habash. Hoje, os religiosos estão a prevalecer entre os palestinianos, mas a questão continua a ser a da terra.
O Estado de Israel é um dado da existência, o que não quer dizer que seja irreversível. O seu futuro, não obstante toda as realizações técnicas e científicas, sem esquecer o poderio militar, pode muito bem ser sombrio. Por causa da questão demográfica, que ameaça a natureza judaica do própria Estado de Israel (é a demografia árabe!). E por ser um território com pouca profundidade, rodeado de vizinhos desconfiados, quando não abertamente hostis. Não nos podemos esquecer que os estados árabes que reconhecerem Israel, casos do Egipto e da Jordânia, só o fizeram porque não são democráticos. Caso fosse instaurada a democracia, muito provavelmente assistiríamos à revogação do reconhecimento do Estado de Israel, por vontade dos eleitores jordanos ou egípcios!
Num horizonte distante, um Estado laico binacional poderia ser a solução. Mas à luz do presente, não é mais do que um sonho. Era esse também o sonho de alguns intelectuais palestinianos, como Edward Said.

Meghan


Miss McCain.

Blogging about life on the campaign trail:
Five people I would invite to dinner (dead or alive) include Lester Bangs, Coco Chanel, Johnny Ramone, Debbie Harry and Ronald Reagan.
I wouldn't mind attending that dinner.

Ao menos, ninguém vai ao engano

“Comigo o PSD vai retomar a sua raiz de social-democracia. Não sou liberal, nem populista. Sou social-democrata e faço-o por convicção e orientação política”

Manuela Ferreira Leite, 13 de Maio de 2008, Ponta Delgada (RTP).

Por este caminho, um eventual confronto eleitoral entre Manuela Ferreira Leite e José Sócrates promete vir a gerar uma das mais aborrecidas e intelectualmente empobrecedora campanha eleitoral, centrada na pertinente discussão sobre quem tem mais capacidades técnicas para conduzir o país no caminho do socialismo.
Não estou a ver outro país europeu onde as duas principais forças políticas tentem ocupar exactamente o mesmo terreno político e onde a direita (ou a ilusão da sua existência) tenha tanta vergonha em se afirmar como alternativa assente em valores liberais.
Depois do que tem dito nos últimos dias, estou esclarecido quanto a esta candidata e à possibilidade de um novo ciclo político, com novas ideias e novas propostas.

Não sendo militante de nenhum partido, ainda assim sou um eleitor devoto (mas muito pouco fiel). Estando absolutamente farto da reciclagem socialista, estaria disposto a dar o meu voto a uma hipótese de diferença. A um projecto que, pelo menos, tentasse não ser apenas uma melhor execução, um “fine-tuning” das políticas que nas últimas décadas transformaram Portugal num país de Estado-dependentes.
Posso estar enganado, mas não será com o PSD de Manuela Ferreira Leite que surgirá uma alternativa clara.


Já colocado no Insurgente.

Terça-feira, Maio 13, 2008

A minha máquina de filmar



A DOMINAÇÃO DO ESPECTÁCULO SOBRE A VIDA

Esta publicidade da câmara EUMIG (Verão de 1967) evoca muito precisamente a glaciação da vida individual, que na perspectiva espectacular se inverteu: o presente é dado a viver imediatamente como recordação. Através desta espacialização do tempo,submetido à ordem ilusória de um presente acessível em permanência, o tempo e a vida perderam-se para os homens.

In Internacional Situacionista - Antologia

As eleições na Sérvia

Quem se limitou a ouvir o que as televisões disseram, com destaque para o jornalista da RTP Esteves Martins, oficioso em tudo o que respeita à União Europeia, o mais provável é ter-se convencido de que os democratas de Tadic obtiveram uma retumbante vitória nas eleições legislativas sérvias.
A realidade é porém bem mais complexa. Certo que os democratas arautos do liberalismo económico e da União Europeia a qualquer preço conseguiram um resultado bem acima das previsões, ficando à frente dos radicais de Tomislav Nikolić, mas o número de mandatos por estes obtido, somado aos dos partidos Democrático da Sérvia (de Kostunica) e Socialista, dá uma maioria de representantes na futura assembleia. Ora, estes partidos formam o chamado arco nacionalista, pelo que é não de surpreender que deles saia um governo de coligação.
As últimas notícias fazem crer isso mesmo, com contactos entre Kostunica e Nikolić, tendo em vista um gabinete de coligação. Mas o papel de fiel da balança, esse, foi confiado aos socialistas herdeiros de Milosevic, ironia das ironias, estão já a ser cortejados pelos democratas de Tadic, que lhes oferecem até lugares no futuro governo. Esses mesmos democratas que cozinharam a entrega de Milosevic ao Tribunal Penal Internacional...
Enfim, estas eleições não trouxeram a mudança, a Sérvia permanece polarizada, profundamente divida entre dois campos, o dos liberais entusiastas da União Europeia e o dos nacionalistas, muitos dos quais eslavófilos, favoráveis à aproximação à Mãe Rússia.

Sábado, Maio 10, 2008

Luz Silenciosa



Um filme do cineasta mexicano Carlos Reygadas.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

A Nomenklatura Angolana, Bob Geldof e o Público

Bob Geldof parece ter feito as delícias do PÚBLICO , que aproveitou a deixa do músico irlandês, sobre “os criminosos” que gerem os destinos de Angola, para desancar no governo, ou falando a linguagem do nosso diário, na cleptocracia do MPLA.
Das duas páginas do Mundo ao editorial de hoje, passando pelo comentário de Miguel Gaspar, perpassam as misérias da elite política angolana e as cumplicidades dos empresários lusos, e pelo meio, os inevitáveis elogios a Bob Geldof, artista medíocre transmudado em especialista do desenvolvimento sustentável.
Enfim, Angola tem por certo muitos pecadilhos, mas às vezes é como se carregasse aos ombros todas as faltas deste mundo. Deste mundo que vê crescerem as desigualdades sociais a par com a economia de casino florescente, mas que parece não ter pecadores, a não ser a tal nomenklatura angolana.
O flagelo da desigualdade provocará muitos mais editoriais inflamados no PÚBLICO. Mas não por causa de Moçambique. Ou do Brasil. São os ex-comunistas do MPLA!
Interrogo-me se os do MPLA são assim tão diferentes. Eles limitaram-se a dar cumprimento à regra de que governante comunista uma vez liberto do espartilho ideológico dá em empresário de sucesso ou empreendedor (bem, deixo estas categorias para o meu colega aqui do Office, o LA;) É claro que não há regra sem excepção, e longe de mim querer ser injusto para com os militantes do MPLA e comunistas de outras latitudes, que no governo deram o melhor de si em prol do seus países. Mas da Rússia à moderna China Popular, os exemplos sucedem-se, em benefício da regra…
É este o mundo em que vivemos, e que muitos no Ocidente quiseram que assim fosse. Hoje, os empresários provêm de latitudes inesperadas, jogam o nosso jogo e compram acções nas nossas empresas. E isso é causa de perturbação, ainda para mais se o investidor tem ascendência de colonizado.

PS. Para quando um estudo que nos diga se o rendimento dos angolanos mais pobres cresceu ou não. Isso sim, seria avaliar a prestação do governo angolano. Mas não, no PÚBLICO apenas temos direito às verdades de uma qualquer ONG, cujas conclusões nunca são alvo de escrutínio. Enfim…

(Re)Leituras sobre Carris



Como a Água Que Corre - Marguerite Yourcenar

Voltei a este livro depois de o ter lido e colocado na prateleira há muitos anos atrás. Voltei a sentir o prazer de seguir a escrita de Yourcenar, das suas tão humanas personagens.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

68




















Maio de 68, canto do cisne da revolução proletária, socialista…

É uma banalidade dizer que os acontecimentos nunca se repetem, mas nesse caso ainda é mais verdadeiro, porque o Maio de 68 foi uma irrupção de factores colectivos, como os estudantes, mas também do proletariado clássico, o que ainda se verificou mais em Itália.

Maio de 68 precursor do novo (revolucionário) capitalismo.

É justamente a seguir a 68 que se esboça uma linha individualista, quer dizer, o quebrar das antigas identidades colectivas e que conduzem à ideia, hoje, de que cada um está sozinho por si e que cada um deve realizar-se no mercado de trabalho; foi essa ideia do capital humano que ganhou.
Em muitos países, como a Itália, onde o número dos ditos trabalhadores autónomos já ultrapassou o de trabalhadores assalariados. Assim, é ainda mais difícil que nasçam acções efectivamente colectivas.

Anselme Jappe, in Público, Suplemento P2, 2 de Maio 08

O momento da decadência de qualquer forma de superioridade social seguramente possui algo mais aprazível que os seus vulgares começos. Fiquei para sempre afeiçoado a esta preferência, que muito cedo sentira, e posso dizer que a pobreza me deu grandes ócios, por não ter de gerir bens aniquilados nem sonhar restaurá-los, participando no governo do Estado. É verdade que saboreei prazeres pouco conhecidos das pessoas que obedeceram às desgraçadas leis desta época.
Guy Debord, in Panegírico.

Sábado, Maio 03, 2008

O mapa da derrota de Red Ken

Ken Livingstone colhido pela maré conservadora

A derrota de Red Ken, Mayor de Londres nos últimos oito anos, representa um tempo novo, de más notícias para o partido trabalhista de Gordon Brown.
Red Ken era bem mais popular do que o Labour, mas nem ele resistiu à maré conservadora que deu forma a estas eleições locais.
O novo Mayor de Londres, Boris Johnson, é descrito como um político feito dos talk Shows televisivos, também um sinal dos novos tempos, a passagem pelos locais de diversão de uma televisão rendida ao espectáculo é cada vez mais uma condição sine qua non do sucesso em eleições democráticas. O que isso representa de abaixamento do político pouco importa, os tempos são assim mesmo. E o sucesso é o valor maior.

The demise of Livingstone is very bad news for Gordon Brown. Ken's team calculated that his ratings were normally about 10 points higher than Labour's. So how did he lose? A highly effective (and expensive) "get out the vote" operation by the Tories in the outer London boroughs made it virtually impossible for Ken to make up the ground in his inner London strongholds. Boris fought a clever and disciplined campaign. He grew up politically from the TV show joker, even if he was hazy on policy. It will be fascinating to see whether he can keep it up as Mayor, but those people expecting him to implode may be proved wrong (again).

Andrew Grice, in Indy Blogs

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Imagens e cartoons de Abril





Em relação aos cartoons, o que ostenta a máxima "Mais vale tarde do que nunca" foi publicado in Os Ridículos, 11-05-1984.
O outro no República, cuja legenda me parece que diz "A desratização no Estado Velho", viu a luz do dia em 10-05-1974. Os seus autores são anónimos.
Foram ambos retirados do sítio do Centro de Documentação do 25 de Abril.

Terça-feira, Abril 22, 2008

O que está em jogo

«...No fundo, trata-se de escolher entre um PSD "à Bloco de Esquerda ou à PPD"
Marco António da Costa, in Público».

Francisco Martins Rodrigues
























(1927-2008).

Morreu Francisco Martins Rodrigues.
O meu (modesto) reconhecimento ao resistente antifascista. Ao grande combatente. Até ao fim.

Três Tempos



























Três tempos, diferem os contextos, mas o amor em comum.
O cineasta Hou Hsiao Hsien divide a narrativa em três partes, do tempo de amar, no coração da década de sessenta, ao tempo de liberdade, no dealbar do século, em 1911, até aos dos nossos dias, o tempo de juventude.
Diferem os contextos, sociais, culturais ou históricos, o que quiserem, mas a solidão causada pelos males de amor é universal. O cenário pode ser a sala de bilhar de tempo de amar, onde um homem se apaixona por uma mulher e depois tem de partir. Ou o requinte de um salão do início do século, onde assistimos à cumplicidade entre um homem generoso (intelectual ou político) e uma cortesã, sob o pano de fundo da cultura das concubinas e duma China obrigada a mudar, e cada vez mais sujeita a um Japão hegemónico. Aqui, em tempo de liberdade, Hou Hsien glosa o filme mudo (deliciosamente). E ainda o nosso tempo acelerado, o tempo de juventude, em que a intimidade se expressa cada vez mais via mensagens de telemóvel e e-mail, onde vemos duas mulheres jovens, que são namoradas, mas entre elas vai interpor-se um homem. Mas não chega a ser triângulo amoroso, é tão-só fragmento. Inacabado.
Um filme feito de permanências. Tocante.

Segunda-feira, Abril 21, 2008

Da actual vaga criminal em Setúbal

Não pode ser só impressão minha. Ou melhor: não pode ser que esteja sózinho nas minhas preocupações.
Durante os últimos seis meses a cidade de Setúbal tem sofrido uma sequência de assaltos à mão armada que me deixam verdadeiramente preocupado.
Não só preocupado com a minha segurança, com a dos meus amigos e familiares, mas também com a segurança dos bens de cada um de nós.
Sempre houve problemas de segurança em Setúbal, sempre houve bairros de onde se esperava ouvir as histórias de violência e incivilidade mais banais.
Creio no entanto que nos últimos meses há algo de novo.
A impunidade é completa. Completa.

Há uns meses atrás, quando as histórias de assaltos e violência se começaram a multiplicar, os comunistas que são maioria na CMS vieram acusar a oposição de saudosismo autoritário quando esta chamou a atenção para os sinais que a todos eram evidentes. Se tais palavras não fossem uma ofensa na boca dos comunistas aos que ainda têm memória e conhecem a história do comunismo, seria apenas mais uma das patetas tiradas dos saudosistas do totalitarismo vermelho, daquelas repetidas com veemência e espuminha raivosa no canto da boca.

Mas são uma ofensa.
Pelo menos a quem tem de trabalhar ou arrisca a investir para gerar riqueza suficiente para pagar os impostos que sustentam os subsídios dados aos programas sociais (essa "palavra doninha", adjectivo que tudo justifica), as organizações e interesses partidários que distribuem as benesses de acordo com a clientela a agradar.

Mas não estão sózinhos: o desrespeito pela vida e propriedade privada é uma virose que ataca todos os partidos. Todos têm medo que lhes apontem o dedo se levantarem a voz em defesa destes valores e contra os que se colocam em guerra com outros seres humanos que mais não querem que viver e ganhar a sua vida honestamente.

Não tenho ilusões; as coisas vão piorar e o que virá a seguir poderá não ser o que alguém como eu, que preza a liberdade e os direitos individuais acima de tudo, que se opõe ao aumento da intromissão do Estado e dos seus serviçais na vida de cada cidadão, possa considerar uma boa solução.

Espero apenas que uma tragédia não ocorra em breve na nossa cidade. Espero que todos os que me são queridos, os seus bens e interesses, não venham a ser vítimas do desleixo com que a corja trata do "core business" do Estado: a Justiça.

Quarta-feira, Abril 16, 2008

Leituras sobre Carris



Friedrich August von Hayek: "The Fatal Conceit: The Errors of Socialism"

Terça-feira, Abril 15, 2008

Festival Jazz Setúbal - II



No seguimento do anúncio do RENDEZVOUS | Festival Jazz Setúbal, a organização teve a amabilidade de me enviar o programa:
O Festival, a acontecer nos dias 10, 11 e 12 de Julho, conta com três modalidades de bilhetes: Passe de Três dias (35€), Passe Diário-Plateia (15€) e Passe Diário-Tribuna (10€), e todos os bilhetes terão acesso aos After-hours, de forma gratuita, sendo que o cartaz destes ainda não se encontra fechado, devendo haver conclusões nestes nas próximas semanas.

Na edição deste ano, estarão presentes, desde já, João Paulo (piano), que actuará em trio juntamente com Ricardo Dias (acordeão) e Peter Epstein (saxofone alto), Bernardo Sassetti (piano), a solo, e Júlio Resende 4teto (Júlio Resende – piano, Zé Pedro Coelho – saxofones, João Custódio – contrabaixo, João Rijo – bateria), que actuarão, respectivamente, nos dias 10, 11 e 12 de Julho, no Fórum Luísa Todi. Os concertos terão início por volta das 21:30 horas.

Segunda-feira, Abril 14, 2008

O acordo























“Um passo atrás para dar dois à frente.”
Vladimir Ilitch Ulianov (Lenine).

Sinto que, na matéria política da avaliação dos professores, o pensamento de Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, está impregnado da lógica leninista. Do Lenine ao tempo da Nova Política Económica. E alguns comentadores socialistas, anónimos da blogosfera, também.
Estamos perante um recuo que não é o fim da história.
Do lado dos professores, parece que nem todos estão satisfeitos com o acordo assinado, prova de que o processo de luta esteve longe de ser apenas coisa de sindicados. Foi, ao invés, muito mais do que isso, um formidável movimento cívico, envolvendo muitos professores não filiados (a lembrar multidão de que falava Antonio Negri). E não é inédito ver os sindicatos serem ultrapassados pela espiral reivindicativa. Em Portugal e na Europa.

Quinta-feira, Abril 10, 2008

A nossa televisão

Esta televisão que é a nossa mais parece um buraco sem fundo. Agora é o filão da violência escolar via You Tube. Qualquer aluno, que inocentemente ponha aí o seu vídeo, corre o risco de o ver passar vezes sem conta nos nossos telejornais.

É o estado a que chegou o nosso jornalismo televisivo, por inteiro submetido às lógicas do espectáculo e da maximização das audiências.
É, em suma, uma televisão incapaz de reflectir sobre os seus próprios actos, incapaz de um julgamento crítico, em que parece não haver vida para além da capacidade de mimetização da indigência.
E lamentavelmente, a RTP deste nosso serviço público pouco se distingue das privadas.

Quarta-feira, Abril 09, 2008

O Ocidente, o Tibete e a China

Sabemos que este nosso Ocidente, dos publicistas aos estudantes universitários, gosta de dar lições de moral aos outros.
Costuma a África ser a vítima, mas desta vez o alvo foi o poderoso, e cada vez mais capitalista, império do Meio. Tibete é aqui a palavra-chave, com os Jogos Olímpicos de Pequim em pano de fundo.
O Tibete é uma causa popular no Ocidente. O Tibete passado, antes da chegada da China, é representado à imagem, quase diríamos, do paraíso perdido. Um doce lugar idílico no tecto do mundo, governado pela milenar sabedoria dos monges. E no nosso mundo progressivamente descristianizado e descrente das grandes causas seculares, o budismo conserva de há muito um forte poder de atracção entre os jovens mais instruídos, as gentes ligadas à cultura (e esta cultura é por norma de esquerda) e até à ciência. O problema é que, não raro, esta busca de sentido na filosofia budista desemboca em maniqueísmo (vem ao de cima o nosso lastro ocidental). A China é a fonte de todos os males, e a realidade assim é uma coisa simples, ainda para mais se a nossa é feita de desorientação materialista; de consumo e mais consumo.
Mesmo se sou sensível à causa tibetana, no que esta tem de defesa da identidade cultural de um povo, acho esta maneira de pensar e agir, que ficou patente em Londres e Paris, muito pouco consequente. E não estou certo de que ela aproveite ao Tibete, onde uma jovem geração de líderes parece cada vez mais pugnar por métodos bem mais clássicos de luta, afastando-se da política de não-violência do Dalai Lama. É verdade, aí está uma nova fornada de líderes tibetanos, que cresceu sob ocupação chinesa, que poderíamos dizer são filhos da China. Seria assaz difícil concebê-los num Tibete teocrático e imutável.
E agora a China, por este dias a encarnação do mal (receio que a coisa dure até ao fim dos jogos olímpicos). De pouco importa verem-lhe os progressos, mesmo noutras matérias, que não as da riqueza material. Há um abismo entre a China de hoje e a de 1989, mas muitos não vêem isso. Vêem só o Tibete.

No Le Fígaro, um outro olhar:

Nos exhortations sur les droits de l'homme, à la veille des Jeux olympiques, sont-elles vaines ?
J.-L. D. Je suis scandalisé par la niaiserie démagogique de certains commentateurs français sur la question. Un pays comme la Chine ne passe pas du totalitarisme à la démocratie en un tour de main. Il est un fait que la presse en Chine est très contrôlée et que 30 journalistes chinois sont en prison, souvent pour des raisons non politiques d'ailleurs, mais il faut aussi rappeler qu'il y a en Chine 550 000 journalistes. Idem pour les 80 à 100 internautes poursuivis sur les 210 millions d'internautes que compte ce pays !