segunda-feira, março 05, 2007

Sobre o entretenimento no canal estatal

Há um programa de televisão, apresentado por uma antiga glória do canal público e que tarda em aposentar-se, onde aos portugueses é sugerido que votem na sua escolha do português "mais-qualquer-coisa-boa".

Não tenho acompanhado o programa em detalhe. Lembro-me de, numa polémica inicial, se ter censurado a RTP por ter esquecido de incluir na lista o nome de António Salazar.
Lista!?
Então não estamos a falar de escolher, de entre os portugueses que viveram nos últimos 900 anos, aquele que será o "mais-qualquer-coisa-boa"?
Parece que não, a escolha foi pré-condicionada.
Parece que um conjunto de pessoas (há sempre um conjunto de pessoas que são "as que realmente sabem mesmo-mesmo o que é bom para os outros") fez uma lista.
E parece que entre os mais votados, no final, lá estavam o Dr.'s Salazar e Cunhal, dois campeões da liberdade, símbolos de ideologias que defendiam o primado do respeito pela liberdade e pelos direitos individuais e cujo contributo os terá levado a estar entre "os 10 dos mais-qualquer-coisa-boa" portugueses.

A mim, torna-se evidente, que à entrada do séc. XXI ainda há muito para discutir sobre a memória que os portugueses têm das persongagens e das ideias que suportavam os actos de quem ajudou a configurar o país que temos hoje.

Já agora: se têm de gastar dinheiro a votar, votem em Fernando Pessoa, em Luiz Vaz de Camões, em Sousa Mendes, em D.Henrique ou em D. João II.
Não votem num só. Tem sido isso que nos tem lixado ao longo da história.